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LER TEXTOS DIFÍCEIS

  A leitura bem-feita de uma obra densa é um exercício psicanalítico. Ler é uma viagem ao redor de si mesmo, tangenciando e questionando convicções, com perspectiva e afastamento. Conheço-me conhecendo o príncipe [1] . Meus espaços são violentados e forçados para novas fronteiras . A maturidade decorre do diálogo entre a vida e as leituras ao longo da vida. Karnal, Leandro. O que aprendi com Hamlet (p. 9). Leya. Edição do Kindle. Ora, estando Karnal com a razão, temos de admitir que textos difíceis serão sempre bem-vindos, porque podem provocar em nós uma superação, um engendramento de pensamentos que desembocam em mudanças na estrutura da visão que temos de tudo. Um texto óbvio pode ser bonito, elegante, de boa métrica e trazer grandes contribuições para todos nós, mas dificilmente forçará mudanças significativas em nossa maneira de pensar. Essas mudanças que um texto óbvio provoca são superficiais, porque já conhecidas por nós e não farão muita diferença; quando muito provocarão algu
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A TERRA É PLANA

  Aviso: caso não queira se empanturrar de informações quase que inúteis sobre de onde vem essa ideia de “Terra plana”, vá para o parágrafo indicado pelo número 2.   A enciclopédia nos informa que a ideia na qual o planeta Terra teria uma forma plana é bem velha; ela remonta às civilizações mais antigas. Essa concepção chegou até o período clássico grego antes de Cristo. Já na China essa concepção sobreviveu até o século XVII. Enfim, a ideia circulou entre nós até o advento das leis científicas entre elas a da gravitação universal de Isaac Newton (1643-1727) sem falar de outra importante figura no cenário dos estudos da natureza – Johannes Kepler (1571-1630) e as leis que levam o seu nome e que é considerado uma das figuras que deu o pontapé inicial na chamada revolução científica. É importante salientar que a ideia de uma Terra de formato esférico surge no século VI a.C., na Grécia, com Pitágoras (571 a.C. – 490 a.C.). Figura que se destaca nessa linha é Eratóstenes de Cir

Notas à margem de uma história budista

  Notas à margem de uma história budista   O mestre Shaku Soen gostava de passear ao entardecer pela aldeia próxima ao mosteiro Um dia, ele ouviu fortes lamentos vindos de uma casa e resolveu bisbilhotar. Ao entrar na casa, compreendeu que o dono havia morrido, e que a família e os vizinhos estavam chorando Ele procurou um lugar para se sentar e chorou com eles. Um velho o reconheceu e ficou surpreso de ver o famoso mestre acompanhá-los no pranto. Disse o velho ao mestre: eu acreditava que tu estivesses além dessas coisas. Mas é exatamente isso que me coloca mais além, respondeu o mestre num soluço. Do livro “Pocket Zen”. Bruno Pacheco. Editora Nova Era. 2004   1) Uma das coisas mais intrigantes para os pessimistas é que há alguns humanos - muito poucos – que conseguem agir com grande desprendimento (frise-se desinteressado) e de solidariedade muito além das expectativas. Essas ações causam espanto nessa corrente de pensadores, porque são pontos fora da curva e porque contrariam a lógi

CRISES - Perguntas

No texto “Crises” https://espiritismosec21.blogspot.com/2020/10/crises.html você fala em colocar leveza na existência. Há alguma possibilidade de, neste mundo, ter uma vida mais leve? Sim há, mas é para poucos, muito poucos; são os poucos que amam verdadeiramente. Aqueles que amam sem oferecer resistência, como diria o Cristo (Mateus 5:39) [1] , vivem com leveza porque neles não há cobrança interna nem para amar e nem para serem amados. Mas como eu disse, isso é para poucos. Você sabe como é amar desse modo? Claro que não sei (risos). Os que como eu - pessoas comuns -, em determinadas situações sentem, uma vez ou outra, é a brisa do amor afagar a face e o coração... O amor é raro entre nós. E por ser raro é belo. E essa beleza pode salvar o mundo. No caso das pessoas comuns a que você se refere, como saber se estão sendo “visitados” por essa beleza do amor se elas não a conhecem? Utilizando-se de ferramenta como a utilizada por Paulo ao se referir a si mesmo em carta

A VIDA PELO RETROVISOR

  Persistência da Memória – Salvador Dali (1904-1989) A vida pode ser comparada a uma estrada na qual estou conduzindo um veículo – o meu corpo, por exemplo, que representa o repositório de todas as experiências sentidas e vividas ao longo do caminho. Metaforicamente, conduzo esse corpo como um automóvel em trânsito intenso – porque a vida é intensa, querendo ou não. Para dirigir bem, preciso constantemente ter a atenção no que acontece à minha frente, porém, e não menos importante, preciso verificar sempre o que ocorre atrás. Para isso, tenho de olhar para o espelho retrovisor inúmeras vezes (por minuto) enquanto dirijo: uma curva fechada, uma barreira, a falta de seta para fazer uma conversão, alguém que parou de repente à minha frente podem ser sinais de perigo – a energia cinética é cega e implacável. [1] Na vida as coisas se passam mais ou menos assim: alguns dirigem mais lentamente e de forma cuidadosa, enquanto outros estão com muita pressa de chegar (Onde? Não se sabe a

CRISES

  O texto abaixo é de minha autoria em parceria com o Prof. Dr. Samuel Mendonça, a quem muito agradeço. CRISES Uma das pontas do novelo surgiu depois de alguns dias de desencontros. Estar deprimido reivindica coragem, embora para alguns possa significar fraqueza. Se a depressão pode fragilizar o humano, paradoxalmente, ela também pode ser ponto de inflexão para a travessia desejada que traduz a superação do sofrimento vivido. Coragem de quem ainda tem alguma fagulha de vida no coração e coragem para olhar para o espelho e perceber a medida exata de seu tamanho e importância diante do mundo. O reconhecimento da pequenez humana, da arrogância que nos atormenta e da mediocridade de nossa existência motiva a busca que não cessa de mirar para a idealização daquilo que não é. É o que disse o salmista: “Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu     sinta quanto sou frágil”. (Salmos 39:4) A crise [1] vem desse processo de reconhecimento que é, d

PAUSA PARA OUVIR - BEETHOVEN

PICRYL The World's Largest Public Domain Source   Ludwig van Beethoven (17/12/1770-26/03/1827) https://www.youtube.com/watch?v=vCHREyE5GzQ