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PAUSA PARA OUVIR - Händel

Georg Friedrich Händel
 1685-1759
https://www.youtube.com/watch?v=qiqFgoXoQoY
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CRÍTICA E AUTOCRÍTICA - O caso Porta dos Fundos

A crítica e a autocrítica podem funcionar como uma faca. A faca pode ser utilizada para cortar o pão que será distribuído com aqueles que têm fome; ou pode servir de arma para ferir e até matar. O instrumento em si não é bom nem mau. É a intenção de quem o usa que faz a diferença.
Tenho dito neste espaço que há uma evidente falta de autocrítica por boa parte do staff[1]espírita tanto na forma quanto no conteúdo de temas relacionados à Doutrina.
Esse comportamento tem origem na maneira como se “ensina” o Espiritismo e nas características desenvolvidas, ao longo do tempo, por aqueles que militam nas fileiras doutrinárias de nosso país.
Evidentemente, qualquer ideia nascida numa determinada região do planeta poderá sofrer (às vezes deve sofrer) adaptações à cultura e ao modo de vida aonde essa ideia for levada. É óbvio que não estou falando de conceitos universais. Essa espécie de “contaminação” – essa palavra é perigosa, porque muito estimada pelos fariseus de plantão - a que chamo de prin…

MOVIMENTO ESPÍRITA - Entrevista [parte 2]

Do que a pedagogia espírita carece?
Antes de tudo, quero salientar que há um grande empenho dos espíritas em difundir uma moral que possa melhorar o ambiente na Terra. Eu seria leviano em criticar esse trabalho de doação de tempo, energia e dinheiro. Tem muita gente séria envolvida nisso.
Para responder à questão levantada por você, não tenho a presunção de ser conclusivo, mas de atiçar a curiosidade e a busca por respostas relacionadas a uma área tão importante da atividade humana e, no caso, particularmente, da atuação das casas espíritas.
É urgente a retomada da discussão sobre a influência do Humanismo[1] pela ótica espírita.
Não há garantias de que chegaremos a um bom termo se não soubermos lidar com a ideia de suficiência humana trazida pelo movimento humanista e, que hoje, está bastante enraizada na cultura contemporânea.
O Humanismo trouxe essa ideia começando pela morte de Deus e de tudo o que Ele representa no campo do transcendente. Por exemplo, a espiritualidade e a ideia de in…

PAUSA PARA OUVIR - Grieg

EDVARD HAGERUP GRIEG (15/06/1843-04/09/1907)
https://www.youtube.com/watch?v=KgRvjTtrzEo

ANO NOVO, VIDA VELHA por Ubiratan Rosa [parte 4]

Qualquer conceito pelo qual o pensamento se identifica como Eu, Meu, Nosso, é essencialmente mau, separa, divide as criaturas, torna-as sumamente hostis umas para com as outras.
Por amor da Pátria, da Família, da Crença, aborrecemos e odiamos o outro, o estrangeiro, o vizinho, o que não é confrade, e isto é um contra-senso, uma aberração: não podem coabitar o amor e o ódio num mesmo coração. Se coabitam, cumpre conhecê-los bem, talvez não sejam, seguramente não são, como pensamos, amor e ódio, mas coisas diferentes. Meu amor da Pátria pode ser (e na verdade é) um puro egocentrismo, um apego doentio a mim mesmo; meu ódio ao outro, o grande medo que tenho da fragilidade da noção de Pátria, com que busco me fortalecer.
Ocorre o mesmo quanto às crenças ditas religiosas. Faço proselitismo, quero que todos professem o que professo, aceitem o deus ou o mistério que aceitei, porque, no consenso dos outros, me fortaleço, e na sua dissidência ou negação, me enfraqueço. Mas é precisamente esse des…

ANO NOVO, VIDA VELHA por Ubiratan Rosa [parte 3]

Ora, se até aqui tenho sido infeliz com o conhecido, diz-me a razão que desta infelicidade só me poderei libertar pelo desconhecido. Mas este, o desconhecido, não pode ser um objetivo, uma meta por atingir, uma motivação, porque motivações, objetivos, metas, só se podem estabelecer em relação ao conhecido.
O desconhecido é o novo, que se patenteia quando o conhecido desaparece.
Mas não se deve tomar à letra esse "desaparece", que aqui fica como força de expressão. O "conhecido" são os conceitos que aceitei e elaborei, ou reelaborei, pelos quais norteio minha vida. Integram minha cultura, minha memória, são pensamentos. Não podem, então, "desaparecer", porque o pensamento é indelével (que não se pode delir; que não se dissipa; indestrutível; inapagável).
Não só o "pensamento discursivo" (que inclui o raciocínio, a dedução, a demonstração), mas também o pensamento-emoção (que inclui o que se sente). Tudo o que se pensa, tudo o que se ouve, tudo o qu…

ANO NOVO, VIDA VELHA por Ubiratan Rosa [parte 2]

Se você nunca foi rico, como sabe que o rico "vive melhor"?
Ele pode ostentar fausto e pompa, mas este luxo não é garantia de vida melhor (aceitando-se, por um momento breve, a estupidez da comparação).
"Ele come melhor, bebe melhor, mora melhor, dorme melhor que o pobre. Isto não é inegável?"
É inegável. Mas ele pensa melhor, sente melhor, ama melhor? (1) A vida é um processo global. Toda hipertrofia é uma fragmentação, e toda fragmentação, conflito.
"O que se entende por hipertrofia?"
Um inchaço, uma exageração, ou exacerbação, uma expansão em determinado sentido, em sentido unilateral. Se levo a vida rezando, em detrimento de tudo o mais, fragmentei-me na devoção, nela me hipertrofiei; há os que se fragmentam no trabalho, na bebida, no sexo. A hipertrofia de uma parte causa a atrofia do todo. Muito rico, ou muito pobre, o sujeito embota-se, perde a sensibilidade quanto ao todo. Mas se a si mesmo conhece, anula o conceito de riqueza e pobreza, e liberta-se.…