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DESCONFIO QUE DEUS GOSTE DE MIM

23/12/2016

Desconfio que Deus goste de mim, não pela religião que me molda pelo medo da “Mão Divina”, acovardado diante da Vida que me apresenta desafios quase sempre espinhentos e diante dos quais corro atrás da própria fé como miserável pedinte e por causa disso ajo como um bajulador de Deus para garantir Sua interferência, e, de quebra, uma promoçãozinha espiritual. Desconfio que Deus goste de mim por minha rebeldia, minha desobediência (que lá no fundo é a substância da coragem de me admitir pecador); pela minha aguda noção de pequenez, de insignificância, de minha mediocridade muitas vezes travestida em ira, inveja, despeito, prepotência. Desconfio que Deus goste de mim por ser assim sem temor ao que Ele acha de meus pecados, de minhas brigas e desavenças, de minha preguiça e indolência sem máscaras. Desconfio que Deus goste de mim, porque Ele sabe o que acho da tentativa de humanizá-lo com expressões do tipo “se Deus quiser...”, e seu complemento: “... e Ele há de querer...”. Expre…
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PAUSA PARA OUVIR - BEETHOVEN

PICRYL The World's Largest Public Domain Source 
 Ludwig van Beethoven (17/12/1770-26/03/1827)
https://www.youtube.com/watch?v=vCHREyE5GzQ



PETS-ROBÔS

Magui (21/04/2006 - 21/08/2020)

E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi
Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi
Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:
A lua foi alcançada afinal, muito bem, confesso que estou contente também
A mim me resta disso tudo uma tristeza só
Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção
O que será do verso sem luar?
O que será do mar, da flor, do violão?
Tenho pensado tanto, mas nem sei
Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar*Lunik 9 – Gilberto Gil[1]Neste dia 21 de agosto de 2020 está frio e chovendo lá fora, e dentro de mim. Dia em que marca a morte do meu cãozinho Magui.Lembrei de uma canção do Gil e misturei com o que vi sobre inteligência artificial e a construção de cães-robôs. Um deles o Spotmini.O nome agora é Spotmini e não mais algo próximo de nosso coração, como por exemplo, Magui, Rex, Laica, Laila...O Spotmini é fantástico e robusto feito de tungstênio e outro…

PAUSA PARA OUVIR - Schubert

Franz Peter Schubert 31/01/1797 – 19/11/1828
Imagem 3D Hadi Karimi  https://cgsociety.org/c/featured/h8lq/franz-schubert  
https://www.youtube.com/watch?v=LUp2u9wI1fY

O INFERNO E A QUARENTENA

Há uma peça para teatro escrita pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre intitulada “Huis Clos” mais conhecida entre nós pelo título “Entre Quatro Paredes” onde Sartre explora, entre outros, o tema da liberdade – tema tão caro ao pensamento desse filósofo. A peça é encenada em um apartamento que simboliza o Inferno onde três personagens interagem com a figura de um quarto – o criado. Não interessa aqui explorar a peça em todas as suas complexidades, mas de chamar a atenção para a fala do personagem Garcin que, ao fim da peça, exclama: “o Inferno são os outros”. Há quem diga – gente com repertório imensamente maior do que o meu -, que devemos entender que “os outros” não são o inferno, mas nós é que somos o inferno.[1] Esse tema traz muitas inquietações àqueles que pensam a vida de forma orgânica, não simplista. Meu palpite é que a frase de Garcin confirma para mim o que desconfio: que os outros são o inferno, porque o outro, a quem não posso me furtar da companhia, constantemente me atorment…

A REDENÇÃO PELO SANGUE DE UM CAVALO

No último texto postado falei do “sangue de barata”. Desta vez, ofereço-lhes um texto o qual tive contato pelo meu filho Jonas no fim dos anos 90. A autoria é de Marco Frenette. Nele, Frenette fala do poder do sangue de um cavalo. Nota: o tamanho do texto foge do critério utilizado por mim neste espaço que é o de textos curtos para não cansara beleza de ninguém.
CAVALOS E HOMENS Marco Frenette Revista Caros Amigos, setembro 1999.
Essa short cut cabocla está há tempos cristalizada na memória coletiva de minha família, e me foi contada pela minha avó materna.
Corria o ano de 1929 quando ela se casou, no interior de São Paulo, com o homem que viria a ser meu avô. Casou-se contra a vontade dos pais, que queriam para a filha alguém com posses compatíveis as da família, e não um homem calado, pobre e solitário, que vivia num casebre ladeado por uns míseros metros quadrados de terra. Minha avó, porém, que era quase uma criança a época, fez valer a força de sua personalidade, e foi, sem levar absol…

CORONAVÍRUS E A TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

Depois da espanhola[1] e de outras piores, a humanidade saiu do mesmo jeito que sempre foi. E por que raios a saída dessa seria diferente? Vou explicar a razão. A ciência primeira hoje é o marketing. Por isso, muitas pessoas querem passar a imagem que o coração delas é lindo e que depois da epidemia, o mundo ficará lindo como elas. A utopia fala sempre do utópico e não do mundo real. É sempre uma projeção infantil da própria beleza narcísica de quem sonha com a utopia. Luiz Felipe Pondé – Folha de São Paulo – 13/04/2020
Por mais hedionda seja a figura de Joseph Goebbels[2] recentemente foi elevada ao status de máxima da sabedoria sua frase: “uma mentira contada muitas vezes acaba se tornando uma verdade”. É óbvio que se trata de uma armadilha, de um sofisma. No entanto, é plausível que se pense no poder dessa frase considerando como uma verdade baseando-se na receptividade do senso comum, independentemente de cairmos no paradoxo de Eubulides ou de Epimênides[3].
Há um insistente discurso…

PAUSA PARA OUVIR - Rameau

Jean-Philippe Rameau 25/09/1683-12/09/1764
https://www.youtube.com/watch?v=fbd5OAAN64Y